À luz do plano recentemente anunciado de disponibilizar 2.5 milhões de pessoas para profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, especificamente lenacapavir, até 2027, a AIDS Healthcare Foundation ( AHF ) insta os líderes globais da saúde a priorizarem o uso de preservativos como componente essencial da implementação. Embora o lenacapavir seja uma ferramenta inovadora para reduzir a transmissão do HIV, promovê-lo sem uma forte ênfase no uso de preservativos ignora o alarmante aumento global das infecções sexualmente transmissíveis, que a PrEP sozinha não consegue prevenir.
“O lenacapavir pode ser um divisor de águas na prevenção do HIV, mas não é uma cura milagrosa. Ignorar o papel dos preservativos na luta contra as ISTs é um desserviço e um desastre para a saúde pública global”, disse o presidente da AHF, Michael Weinstein. “Já estamos vendo taxas recordes de ISTs em todo o mundo, com mais de 374 milhões de novos casos anualmente, incluindo gonorreia, sífilis, sífilis congênita e clamídia. Os preservativos continuam sendo a maneira mais eficaz e acessível de prevenir essas infecções, além de proteger contra o HIV.”
Apesar de mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) serem adquiridas diariamente em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, o uso de preservativos está diminuindo em muitas partes do planeta. Nos EUA, as taxas de sífilis aumentaram 74% entre 2017 e 2021, e cepas de gonorreia resistentes a antibióticos estão se espalhando globalmente. A falta de integração do uso de preservativos nas campanhas de PrEP agrava essas tendências, principalmente em regiões com acesso limitado a testes e tratamento de ISTs. A AHF defende uma abordagem abrangente para a saúde sexual que considere os preservativos e a PrEP como ferramentas complementares para reduzir as taxas de HIV e ISTs em todo o mundo.
Um estudo recente publicado na revista The Lancet destaca a necessidade urgente de estratégias abrangentes de prevenção do HIV. Apesar de uma redução de 22% nas novas infecções por HIV em todo o mundo entre 2010 e 2021, o progresso ainda é insuficiente para atingir as metas da UNAIDS, com disparidades entre regiões e aumentos em algumas áreas. Isso ressalta o papel crucial que os preservativos desempenham como uma ferramenta comprovada e de baixo custo na prevenção da transmissão do HIV.












