Esta semana marca o primeiro aniversário da primeira dose da vacina contra a COVID-19 administrada nos Estados Unidos. É também um lembrete lamentável das gritantes desigualdades no acesso à vacinação que persistem entre países ricos e em desenvolvimento — e da constante falta de cooperação internacional demonstrada pelos governos na resposta à pandemia, segundo a AIDS Healthcare Foundation.
Mais de 70% das pessoas nos EUA e cerca de 56% da população mundial receberam pelo menos uma dose da vacina. No entanto, das mais de 8.5 bilhões de doses administradas em todo o mundo, 73% foram para países ricos , com apenas 7% das pessoas em países de baixa renda recebendo a vacina. Menos de 13% das pessoas no continente africano receberam sequer uma dose.
“O mundo prendeu a respiração quando as vacinas contra a COVID-19 foram desenvolvidas em tempo recorde. Pensamos: certamente esta crise global será o catalisador para finalmente unir todas as nações na derrota de um inimigo comum, o novo coronavírus”, disse o presidente da AHF, Michael Weinstein . “Mas, como vimos com a 'outra pandemia', a do HIV/AIDS, a influência política da indústria farmacêutica e os lucros exorbitantes com medicamentos que salvam vidas continuam a ter prioridade sobre as vidas humanas. A única maneira de controlar esta nova pandemia é acabar com o apartheid das vacinas perpetrado por um punhado de países ricos e vacinar o mundo inteiro.”
Já se passou mais de um ano desde que a África do Sul e a Índia apresentaram uma proposta para suspender as proteções de propriedade intelectual sobre as vacinas contra a COVID-19 na Organização Mundial do Comércio. O presidente dos EUA, Joe Biden, também manifestou apoio à suspensão de patentes e à transferência de tecnologia, que devem ser os primeiros passos para impulsionar a produção global de vacinas.
“Chegou a hora de os países que bloqueiam a expansão do acesso global às vacinas verem o que os espera, a menos que mudem de rumo: uma pandemia prolongada, milhões de mortes a mais e uma instabilidade crescente em todo o mundo”, acrescentou Weinstein . “Essas ameaças existirão enquanto os governos permitirem que as empresas farmacêuticas definam os termos que o mundo é forçado a acatar. O aniversário da primeira dose da vacina contra a COVID-19 nos EUA deveria ser motivo de comemoração, mas, em vez disso, nos deparamos com a triste constatação de que o mundo ainda está muito atrasado no combate à pandemia e na preparação para a próxima.”
Além de compartilhar patentes e tecnologias de vacinas, os países também devem compartilhar doses excedentes com outras nações. A COVID-19 comprovou o que já sabíamos: doenças infecciosas não conhecem fronteiras — nenhum país está a salvo das perigosas variantes emergentes da COVID-19, que persistirão até que todos, em todos os países, tenham acesso a vacinas que salvam vidas.












