
WASHINGTON (12 de maio de 2020) A AIDS Healthcare Foundation ( AHF ) exigiu hoje que o remdesivir, medicamento recém-aprovado para o tratamento da COVID-19, tenha seu preço fixado em no máximo um dólar americano por dose. A AHF exigiu ainda que a Gilead Sciences divulgue todos os seus custos públicos de pesquisa e desenvolvimento, bem como todos os investimentos públicos relacionados ao desenvolvimento do remdesivir.
O preço por dose estimado pela AHF baseia-se em um estudo da Universidade de Liverpool , intitulado " Custos mínimos para fabricar novos tratamentos para COVID-19" , que permite a recuperação do custo de fabricação mais um lucro razoável.
Em 1º de maio , a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) aprovou a autorização de uso emergencial do remdesivir, que demonstrou reduzir o tempo de recuperação de pessoas infectadas com COVID-19.
“O contribuinte americano pagou pela pesquisa deste medicamento. É muito provável que o Medicaid e o Medicare cubram as prescrições deste medicamento nos Estados Unidos”, disse o presidente da AHF, Michael Weinstein. “Este gasto maciço de recursos públicos exige total transparência sobre a extensão do subsídio que o contribuinte está concedendo às empresas farmacêuticas.”
“Exigimos ainda que a Gilead não faça valer nem reivindique quaisquer direitos exclusivos sobre as patentes do remdesivir, que disponibilize ao público todos os dados, amostras e informações relativos à produção de genéricos do remdesivir e que melhore a transparência para demonstrar sua capacidade de produção e o estoque existente, permitindo uma gestão adequada da distribuição do medicamento de acordo com as necessidades médicas”, acrescentou Weinstein. “Dado o histórico deplorável da Gilead em disponibilizar tratamentos que salvam vidas para HIV e Hepatite C, também financiados com dinheiro do contribuinte, não se pode confiar que essa empresa que lucra com a pandemia zele pelos interesses do público.”
Em um artigo relacionado publicado na semana passada, intitulado "O governo dos EUA contribuiu com pesquisas para uma patente do remdesivir da Gilead — mas não recebeu o devido crédito", o repórter da STAT News, Ed Silverman, explorou o papel desempenhado pelo governo federal na descoberta do remdesivir e seu uso no tratamento de coronavírus "… especificamente… no combate ao Ebola e outros coronavírus". Embora cientistas do governo e "laboratórios de alta segurança administrados pelo governo federal" estivessem envolvidos na pesquisa, somente a Gilead buscou uma patente nos EUA para o uso do composto em diversas infecções por coronavírus.
O artigo da STAT destacou que: “… embora ainda não esteja claro em que medida os fundos federais contribuíram para a P&D, a patente é de particular interesse porque é uma prova tangível de que o trabalho governamental gerou algo de potencial valor financeiro para a empresa. No entanto, funcionários do governo não constam como inventores, o que, segundo um especialista, deveria ser corrigido, especialmente numa época em que a pesquisa financiada pelo governo federal pode ser usada para arrecadar royalties ou, possivelmente, reduzir o preço dos medicamentos.”











