Enquanto a doença do coronavírus (COVID-19) continua a se alastrar na China e se espalhou para outros 29 países ou territórios, a AIDS Healthcare Foundation (AHF) insta todas as partes responsáveis a garantir que nenhuma patente que limite o acesso seja concedida a quaisquer possíveis tratamentos para o vírus mortal.
Uma potencial disputa de patentes na China envolvendo o promissor medicamento experimental remdesivir, da Gilead Sciences, gerou preocupação após a empresa farmacêutica chinesa BrightGene copiar o medicamento sem licença e também solicitar uma patente. A Gilead aguarda a aprovação da patente do remdesivir na China desde 2016.
“A última coisa de que esta resposta ao surto precisa é de uma batalha por patentes de um medicamento que, pelo menos nestas fases iniciais, parece ter algum sucesso contra este coronavírus”, disse o presidente da AHF, Michael Weinstein . “Pesquisadores em todo o mundo estão se esforçando para encontrar uma cura – e esse deve continuar sendo o foco – e não para elaborar estratégias para obter mais lucros usando patentes que podem potencialmente limitar o acesso a um tratamento eficaz.”
Atualmente, existem mais de 75,000 casos relatados de COVID-19 e 2,126 pessoas morreram – incluindo o Dr. Liu Zhiming, chefe do hospital Wuchang em Wuhan, cidade onde o vírus teve origem.
O Dr. Jorge Saavedra, Diretor Executivo do Instituto de Saúde Pública Global da AHF na Universidade de Miami, também comentou sobre o quão bizarro é discutir patentes em meio a uma emergência de saúde internacional, quando erradicar o coronavírus o mais rápido possível deveria ser a prioridade número um.
Um ensaio clínico em andamento com remdesivir é um dos mais de 80 ensaios clínicos atualmente em curso ou pendentes na China, que visam combater a COVID-19.
“Quando uma casa está pegando fogo, você pega a mangueira mais próxima e começa a apagar as chamas — preocupando-se depois com quem era o dono da mangueira ou da fonte de água”, acrescentou Terri Ford, chefe de Advocacia Global e Políticas da AHF. “As grandes farmacêuticas podem brigar por mais lucros depois que tivermos certeza de que o vírus está sob controle — agora, vidas estão em risco e o tempo é essencial.”












