NOVA IORQUE (11 de dezembro de 2019) Três meses após a visita do Secretário-Geral da ONU, António Guterres , e de outros funcionários ao epicentro do surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), profissionais de saúde continuam sendo atacados e mortos, apesar das promessas do chefe da ONU de reforçar a segurança das equipes de resposta.
A AIDS Healthcare Foundation (AHF) insta o Sr. Guterres a utilizar os mais de 15,000 soldados de manutenção da paz à sua disposição, no âmbito do mandato da MONUSCO (Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo), para proteger os profissionais de saúde que arriscam as suas vidas diariamente para erradicar o Ébola, o segundo pior surto da história mundial.
“Reconhecemos que existem complexidades em jogo na RDC que dificultam as soluções, mas a situação lá é grave demais para não fazermos tudo o que for necessário para resolvê-la”, disse o presidente da AHF, Michael Weinstein . “Com um orçamento anual de mais de US$ 1 bilhão apenas para a RDC, a ONU precisa fazer mais na área da segurança. Outras organizações globais, como a GAVI, que contribuiu com US$ 178 milhões para a formação de um estoque de vacinas contra o Ebola, estão fazendo a sua parte; o mínimo que a ONU pode fazer é cumprir o seu próprio mandato.”
A Dra. Marie-Roseline Bélizaire, coordenadora de campo da Organização Mundial da Saúde (OMS) na República Democrática do Congo, descreveu relatos angustiantes de um ataque sofrido por ela e sua equipe por rebeldes armados em 28 de novembro. Quatro profissionais que atuavam no combate ao Ebola foram mortos naquela noite. Infelizmente, as forças de paz da ONU não reagiram com rapidez suficiente, levando de cinco a seis horas para chegar até a equipe da OMS — um tempo muito longo, considerando que é evidente que os profissionais que atuam nas áreas afetadas pelo surto estão sob constante ameaça de ataques. Na noite passada, a organização Médicos Sem Fronteiras anunciou a evacuação de sua equipe após o terceiro ataque a um centro de saúde para tratamento do Ebola.
“Simplificando, a OMS e a ONU não estão cumprindo seu papel quando se trata de garantir a segurança dos profissionais de saúde na linha de frente no Congo”, acrescentou Weinstein . “ Os esforços de resposta ao Ebola foram suspensos e o pessoal foi evacuado diversas vezes devido a ataques desenfreados. Quando isso acontece, o vírus continua se espalhando. O mundo não pode se dar ao luxo de ter um assassino descontrolado como o Ebola — e, enquanto a segurança não for restabelecida, continuaremos caminhando nessa direção.”
A OMS relatou 390 ataques a instalações de saúde envolvidas na resposta à epidemia somente em 2019, com 11 profissionais de saúde mortos e 80 feridos. Desde o início do surto atual, em 1º de agosto do ano passado, mais de 3,300 pessoas foram infectadas com o vírus Ebola e mais de 2,200 perderam a vida.












