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Após mais de um ano de uso bem-sucedido no atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), a vacina altamente eficaz da Merck está finalmente sendo recomendada para uma autorização condicional de comercialização pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). A AIDS Healthcare Foundation (AHF) aplaude a agência por dar esse importante passo e insta a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e a Organização Mundial da Saúde (OMS) a seguirem o exemplo rapidamente com a aprovação.
A vacina foi usada pela primeira vez com resultados muito positivos em 2015, durante o surto de Ebola na África Ocidental, que matou mais de 11,300 pessoas. Desde então, ela tem sido administrada em múltiplos surtos sob um protocolo de "uso compassivo" – visto que é segura e eficaz contra essa cepa (Zaire) do Ebola. A vacina demonstrou ter mais de 97% de eficácia.
“Este anúncio já deveria ter sido feito há muito tempo e é crucial que outras agências se juntem a nós, aprovando rapidamente a vacina contra o Ebola da Merck”, disse o presidente da AHF, Michael Weinstein. “O surto na República Democrática do Congo está longe de terminar e, considerando as tendências passadas, é certo que haverá outros no futuro. É evidente que a comunidade global de saúde pública precisa de mecanismos em vigor para aprovar e produzir em massa medicamentos e vacinas que salvam vidas rapidamente — essa é a única maneira de começar a se preparar para surtos de doenças infecciosas que matam milhares e, potencialmente, milhões de pessoas.”
A FDA aceitou o pedido de aprovação da vacina da Merck em setembro e a decisão sobre o assunto está prevista para 14 de março de 2020, em caráter de urgência. Agora que a EMA fez sua recomendação crucial, a OMS anunciou que também pode prosseguir com sua própria pré-qualificação da vacina.
Além da quantidade insuficiente de vacinas, o surto na RDC está sendo alimentado pela profunda desconfiança da comunidade em relação às equipes de resposta, bem como pelos contínuos ataques violentos de milícias contra profissionais de saúde e recursos de resposta. Para ajudar a diminuir a distância entre a comunidade e as equipes de resposta, a MONCUSO [Missão de Estabilização da ONU na RDC] deu um passo promissor para a construção de melhores relações ao realizar recentemente uma sessão informativa sobre o Ebola para mais de 800 participantes.
“Apoiamos qualquer iniciativa que as autoridades da ONU e da OMS possam tomar para construir e restaurar a confiança nos profissionais de saúde — eles estão arriscando suas vidas diariamente”, acrescentou Weinstein. “Qualquer ação que ajude a mantê-los seguros e a conter o surto é benéfica para todos e é fortemente incentivada.”
Desde agosto do ano passado, houve quase 3,250 casos de Ebola e quase 2,170 mortes, no que é agora o segundo pior surto da história mundial.












