A epidemia global de AIDS continua sendo uma crise de saúde pública com muitos problemas complexos e persistentes que exigem ações de conscientização urgentes e contínuas. O clima apático na 10ª Conferência da IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2019), na Cidade do México, no final de julho, serviu como um lembrete de que a complacência representa uma ameaça real à luta contra a AIDS.
Na região da América Latina, a Venezuela é um exemplo trágico do que acontece quando os serviços de tratamento, prevenção e apoio falham, forçando as pessoas que vivem com HIV a se tornarem refugiadas.
Na IAS 2019, a AIDS Healthcare Foundation (AHF) organizou um painel satélite intitulado “Colapso do sistema de saúde e crise do HIV na Venezuela: O que pode ser feito?”, que contou com apresentações de uma pessoa soropositiva e de um especialista em saúde da Venezuela, além de representantes da Organização Pan-Americana da Saúde, da AHF e palavras de incentivo de Embaixadora Deborah Birx do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da AIDS (PEPFAR). A sessão lotou, o que demonstra a preocupação e o desejo do público de fazer mais para ajudar a Venezuela.
Globalmente, os esforços para reduzir a mortalidade por SIDA e prevenir novas infeções por VIH estão a perder força. Num esforço para revitalizar a prevenção primária do VIH, a AHF organizou um segundo painel satélite, intitulado “A revolução da prevenção primária: Retomando o rumo certo!”. Esta sessão contou também com uma apresentação da Embaixadora Birx, juntamente com especialistas em educação sexual, ciência clínica, saúde pública e uma intervenção especial de um membro do Parlamento Português, com foco no envolvimento dos decisores políticos. Dr. Ricardo Baptista Leite.
A AHF também manteve um estande de exposição como uma oportunidade para interagir com os participantes da conferência sobre a importância da defesa contínua do tratamento e da prevenção do HIV, bem como do apoio firme e constante à próxima reposição de recursos do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária. No âmbito científico, a AHF apresentou oito pôsteres e uma apresentação oral, destacando seus estudos clínicos e epidemiológicos e os sucessos de seus programas no México, Nigéria, Quênia, Índia e Estados Unidos.
“O resultado do IAS no México pode ser resumido como um 'acerto de contas com a realidade'”, disse Terri Ford“A ilusão acabou; o mundo está no caminho errado em termos de prevenção, a mortalidade permanece teimosamente alta, o financiamento diminuiu em US$ 1 bilhão e mulheres e meninas jovens estão sofrendo o impacto mais severo da epidemia. Essas deficiências são um sinal para todos nós intensificarmos a defesa de direitos e dizermos a todos, desde a indústria farmacêutica e os tomadores de decisão até as comunidades e o sistema da ONU – está claro – continuar como se nada estivesse acontecendo não vai mais funcionar.”












