A exibição de dois documentários no mês passado gerou intensos debates sobre a crescente discussão em torno dos direitos de propriedade intelectual (PI) e da precificação de medicamentos pelas grandes farmacêuticas. A AIDS Healthcare Foundation (AHF) e organizações parceiras organizaram a exibição para mais de 40 jornalistas em Kampala, Uganda, apresentando-lhes os temas controversos para incentivá-los a investigar mais a fundo e a produzir reportagens mais abrangentes.
Fogo no Sangue e produzido pela AHF Seu dinheiro ou sua vida Este estudo oferece um vislumbre de uma indústria farmacêutica que rotineiramente gasta bilhões para comercializar seus produtos e, por sua vez, atribui os preços inflacionados a custos ocultos de pesquisa e desenvolvimento. Isso torna o tratamento inacessível para milhões de pessoas, principalmente aquelas em países em desenvolvimento. Práticas problemáticas de propriedade intelectual contribuem para o problema, já que as empresas podem monopolizar o mercado de medicamentos genéricos — incluindo medicamentos essenciais para o tratamento do HIV — por décadas.
“Este é um assunto muito importante sobre o qual temos pouca informação”, disse Esther Nakazzi, Diretora Executiva do Sindicato dos Jornalistas de Saúde de Uganda. “Agora que sabemos que a AHF e seus parceiros estão trabalhando nisso, buscaremos mais informações. Nossos profissionais precisam saber o que está acontecendo nos cenários local, regional e global.”
As práticas da indústria relacionadas à precificação de medicamentos e à propriedade intelectual não têm chegado a muitos meios de comunicação ou comunidades locais em países em desenvolvimento. Como pouco se sabe sobre o assunto, há pouca manifestação pública por parte da população africana exigindo preços mais baixos para os medicamentos.
“Esta é uma área que precisamos investigar mais a fundo. Aliás, precisamos de formação para desenvolver uma compreensão mais profunda das questões, para que, ao investigarmos, o façamos a partir de um ponto de vista bem fundamentado”, afirmou a jornalista Evelyn Liri. “Precisamos trabalhar para estimular o debate e a discussão, para que se possam tomar medidas.”
A UNAIDS estima que 1.5 milhão de pessoas [2015] vivem com HIV em Uganda. A AHF atua no país desde 2002 e possui 86,359 pacientes cadastrados em seu programa.











