LOS ANGELES (31 de agosto de 2016) Fundação de Saúde SIDA A AHF (Anti-AIDS Foundation), a maior organização global de combate à AIDS, que atende 600,000 mil pessoas em 36 países, pediu hoje mais transparência e responsabilidade em relação aos dados e às premissas que... UNAIDS é usado para fazer estimativas do número de pessoas vivendo com HIV/AIDS que estão em tratamento antirretroviral (TARV) em todo o mundo. Em junho, pouco antes da Reunião de Alto Nível da ONU sobre AIDS em Nova York,
A UNAIDS fez um anúncio que mais dois milhões de pessoas em todo o mundo estão em tratamento contra a AIDS agora do que no ano anterior, elevando sua estimativa de pessoas em tratamento para 17 milhões em todo o mundo.
A AHF e outros defensores acreditam que esse número pode ser exagerado e observam que é crucial ter um número o mais preciso possível de pessoas em tratamento para melhor alocar os recursos necessários para acabar com a epidemia até 2030, como parte das metas 90-90-90 (90% das pessoas com HIV devem ser diagnosticadas; 90% das diagnosticadas devem receber TARV e 90% das pessoas em TARV devem atingir a supressão da carga viral até o ano de 2020).
“A UNAIDS precisa prestar contas a toda a comunidade internacional e não apenas a governos e doadores”, disse. Michael Weinstein, Presidente da AHF. “Neste momento, não está claro se uma auditoria local em cada país produziria os mesmos números que os relatados pela UNAIDS. Alguns países não fornecem os números, ou não os possuem; portanto, as estimativas da UNAIDS são baseadas em múltiplas camadas de suposições. Elas acabam com números que às vezes são difíceis de acreditar, mas que certamente retratam uma visão otimista do progresso na luta contra a AIDS.”
De acordo com o Diretor Associado de Política Global da AHF, Denys NazarovUm artigo recente publicado na revista Lancet por um órgão de pesquisa independente chamado Grupo sobre a Carga de Doenças (GDB, na sigla em inglês) insiste que, em relação às taxas de cobertura de tratamento, é necessário um cumprimento mais rigoroso das Diretrizes para Relatórios de Estimativas de Saúde Precisas e Transparentes (GATHER, na sigla em inglês), desenvolvidas pela OMS. Algumas das estimativas feitas pelo GDB, em certos casos, diferem consideravelmente daquelas feitas pela UNAIDS.
“Por exemplo, em 2014, a UNAIDS estimou uma taxa de declínio muito mais rápida nas novas infecções anuais do que o GBD. Globalmente, o relatório GBD 2015 estima cerca de 2.5 milhões de novas infecções em 2014, enquanto a UNAIDS estima cerca de 2 milhões para o mesmo período”, disse Nazarov. “Um caso ainda mais dramático foi o do Quênia, onde os resultados do GBD 2015 mostram um aumento nas novas infecções anuais de 60,000 em 2005 para 146,700 em 2014, enquanto a UNAIDS mostra uma diminuição de 73,000 para 56,000 durante o mesmo período. Já que temos serviços de HIV no Quênia, em quem devemos acreditar? Acho que a responsabilidade pela total transparência deve vir da UNAIDS.”
Jorge Saavedra, Embaixador Global de Saúde Pública da AHF e ex-chefe do Programa Nacional de AIDS do México, afirmou que a experiência mostra que existem alguns métodos que tendem a superestimar o número de pessoas em TARV, como contabilizar apenas os volumes de aquisição sem levar em conta se eles realmente chegaram à boca do paciente. “Por outro lado”, acrescentou Saavedra, “quando grandes países como Nigéria, Índia ou Rússia, entre outros, não divulgam seus dados completos, a UNAIDS deveria assumir seu papel de liderança e divulgar integralmente todas as premissas utilizadas para estimar esses números.”











