Por Carly Helfand | FiercePharma |
A AIDS Healthcare Foundation, sediada em Los Angeles, já processou a Gilead Sciences e pediu aos legisladores que investiguem a empresa por causa dos preços de seus medicamentos. Mas não vai parar por aí.
A fundação lançou uma campanha de conscientização intitulada “A ganância da Gilead mata!” e organizou dois protestos, o mais recente dos quais ocorreu na quarta-feira em frente à sede da empresa californiana em Foster City. Cinquenta ativistas da luta contra a AIDS, vestindo camisetas com a frase “A ganância da Gilead mata!”, carregavam faixas e cartazes criticando a empresa pelos altos preços de seus medicamentos para HIV e hepatite C.
Essa manifestação ocorreu após uma ação realizada na semana passada, durante a apresentação da Gilead na Conferência de Saúde da Goldman Sachs, em um resort na região de Los Angeles. O protesto incluiu uma carreata — com direito a carro funerário; um ônibus de dois andares; e um pequeno avião rebocando uma faixa com os dizeres “A ganância da Gilead mata!”, que, segundo a AHF, “sobrevoou o resort repetidamente por várias horas”.
A Gilead não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
A indignação da organização vem crescendo há algum tempo; no início deste ano, ela processou a gigante da biotecnologia, alegando que a empresa havia atrasado o desenvolvimento de um medicamento para HIV de baixa toxicidade de "maneira calculada e anticompetitiva" para manter os preços altos do medicamento Viread até que sua patente estivesse perto de expirar.
Mas foi recentemente Los Angeles Times O artigo — que detalhava o cronograma de desenvolvimento do novo medicamento, agora conhecido como Genvoya — desencadeou novas ações da AHF. Segundo o artigo, os pesquisadores da Gilead tinham evidências clínicas de que seu composto poderia reduzir os níveis de toxicidade, mas interromperam a pesquisa do medicamento em 2004, enquanto o Viread, entretanto, alcançou o sucesso de vendas. Em resposta, a AHF solicitou aos legisladores e ao FDA que investigassem a empresa por possível manipulação de patentes e violações antitruste, citando a "ganância descarada" da Gilead e o "descaso com a segurança do paciente".
A Gilead, por sua vez, nega as alegações do processo; afirma que "não tinha a obrigação de desenvolver, testar, buscar aprovação ou lançar seu novo produto em qualquer cronograma específico". A empresa alega que atrasou o desenvolvimento do Viread para priorizar o orçamento de pesquisa e desenvolvimento em detrimento de outros programas.
Mas, ainda assim, a recente polêmica não é exatamente uma boa imagem para a farmacêutica, que vem enfrentando protestos sobre os preços de seus principais medicamentos contra a hepatite C desde o lançamento do inovador Sovaldi, com um preço de US$ 84,000, no final de 2013.











