Fiquei apreensivo quando um técnico de laboratório perfurou repetidamente as veias de um menino vivendo com HIV/AIDS (MVHA) na tentativa de coletar uma amostra de sangue para contagem de CD4. Com a permissão do técnico, consegui coletar o sangue do menino e colocá-lo em um tubo de ensaio. Ao fechar o tubo, furei meu polegar esquerdo. Embora fechar o tubo não seja recomendado, esqueci-me disso na hora…
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Foi a primeira vez que isso me aconteceu na minha carreira. Fiquei surpreso e assustado. Tirei as luvas e lavei as mãos com água e sabão. Liguei para o Dr. Nandu Pathak, um renomado médico especialista em terapia antirretroviral (TARV) do Hospital Governamental Zonal de Lumbini, onde a Fundação de Saúde para AIDS (AHF) ajuda a fornecer serviços de TARV de qualidade em colaboração com o estado. Ele me aconselhou a iniciar imediatamente um esquema de profilaxia pós-exposição (PEP) à base de lopinavir potencializado com tenofovir/lamivudina/ritonavir (TDF/3TC/L/r). Como o Dr. Pathak estava de licença, iniciei a PEP e os exames iniciais no dia seguinte.
Vivenciei o medo, a dor, o comprometimento e a perseverança de aderir à TARV (Terapia Antirretroviral). Tive dificuldade em seguir o intervalo de 12 horas entre as doses, às 8h e às 20h, e comecei a usar um despertador como lembrete. Ficava irritada por ter que tomar comprimidos diariamente. Sentia náuseas e tonturas. Depois de uma semana, não consegui tolerar os comprimidos e pesquisei sobre os efeitos colaterais e as interações medicamentosas.
Consultei via Skype o Dr. Men Pagnoroat, consultor médico do escritório da AHF na Ásia, no Camboja, que me informou que o lopinavir/ritonavir (L/r) causa intolerância à glicose e, como sou diabético, meu organismo não toleraria essa combinação. A partir daí, passei a tomar apenas TDF/3TC. Até o momento, completei 28 dias de PEP, mas ainda temo os exames que poderei ter que fazer nos próximos meses.
Conversei com o pai da criança soropositiva quando ele a trouxe de volta para avaliação no dia seguinte. O pai está muito satisfeito com os serviços prestados a ele e ao filho no Centro de Tratamento Antirretroviral (TARV) do Hospital Butal. Há três anos, o menino foi internado no hospital; ele pesava apenas 25 kg e sua contagem de CD4 era de 250. Desde então, ele tem sido um paciente assíduo e ativo. Embora tenha sofrido de candidíase oral e outras infecções oportunistas (IOs) na época da internação, ele agora pesa 65 kg e sua última contagem de CD4 foi de 680.
Ele recusou o auxílio educacional para Crianças Afetadas pela AIDS (CABA, na sigla em inglês), oferecido pelo programa "Save the Children" do Fundo Global no Nepal, por temer o estigma que isso acarretaria caso sua comunidade ou o Comitê de Desenvolvimento da Vila (CDV) descobrissem que ele e seu filho são soropositivos. Ele hesitou em pedir uma carta de recomendação ao CDV, documento obrigatório para receber o auxílio. Ele se sente grato por ter opções de tratamento com a AHF, pois a discriminação da comunidade é suficiente para impedi-lo de se candidatar ao CABA.











