A Gilead definirá o preço do primeiro tratamento totalmente oral para o vírus, que chegará ao mercado em outubro, acima dos atuais US$ 84,000 da formulação de Sovaldi, que é prescrita e administrada com ribavirina ou interferon, medicamentos mais antigos que precisam ser injetados. Defensores da causa questionam o motivo, visto que a empresa reduziu o preço para US$ 300 por mês na Índia.
LOS ANGELES (19 de setembro de 2014) Em uma reportagem da Reuters de 12 de setembro , a Gilead Sciences indicou que o preço da próxima formulação — e primeiro tratamento totalmente oral — para Hepatite C será superior aos atuais US$ 84,000 cobrados pela formulação atual do medicamento Sovaldi, que atualmente é prescrito e administrado em conjunto com ribavirina e interferon, medicamentos mais antigos que precisam ser injetados. Somados, o custo do tratamento atual se aproxima de US$ 100,000 por um ciclo de doze semanas.
Agora, executivos da Gilead anunciaram que o preço da próxima geração do tratamento para hepatite, que deve chegar ao mercado até 10 de outubro , será bem superior ao da formulação inicial. A notícia veio poucos dias depois do anúncio da empresa de que também reduziria o preço do Sovaldi na Índia para apenas US$ 300 por mês.
“Gilead, vocês não têm vergonha?”, disse Michael Weinstein , presidente da AIDS Healthcare Foundation (AHF) , a maior organização global de combate à AIDS e um crítico ferrenho dos preços exorbitantes e da exploração comercial de medicamentos. “A Gilead sequer investiu em pesquisa e desenvolvimento do Sovaldi — em vez disso, comprou a Pharmasset, empresa que já havia desenvolvido o medicamento, por US$ 11 bilhões em dinheiro vivo. Agora, o preço será ainda maior do que os já absurdos US$ 84,000 cobrados aqui nos Estados Unidos.”
A empresa farmacêutica da região da Baía de São Francisco causou indignação — e escrutínio do Congresso — ao precificar a primeira geração do Sovaldi em US$ 84,000 por um tratamento de 12 semanas, ou US$ 1,000 por comprimido. De acordo com uma notícia publicada em 14 de julho no site FiercePharma , a Pharmasset, empresa que desenvolveu o Sovaldi inicialmente e pela qual a Gilead pagou US$ 11 bilhões em dinheiro, pretendia precificar o medicamento em US$ 36,000 pelo tratamento de doze semanas — menos da metade do preço final cobrado pela Gilead após a aquisição da empresa farmacêutica menor.
“Autoridades governamentais astutas, bem como outras seguradoras e pagadoras, deveriam pressionar a Gilead para que explique como e por que a empresa pode tratar e precificar o Sovaldi da mesma forma que um de seus medicamentos para AIDS na Índia — US$ 300 por mês, contra US$ 28,000 por mês nos EUA — e, ainda assim, continuar cobrando US$ 84,000 — e agora até mais — nos EUA? O alarde em torno do anúncio do preço reduzido na Índia revela que o preço nos EUA nada mais é do que a ganância corporativa desenfreada de uma empresa que pagou caro demais por um ativo e agora está explorando programas de saúde financiados pelos contribuintes, como o Medicare e o Medicaid, além de seguradoras privadas, para recuperar seu investimento financeiro. Os maiores compradores desses medicamentos são os contribuintes, que custeiam o tratamento de mais de 75% das pessoas que vivem com HIV nos Estados Unidos. Gilead, vocês realmente não têm vergonha?”











