Por FENIT NIRAPPIL
ASSOCIATED PRESS – 29 de abril de 2014
Artigo também disponível aqui..
SACRAMENTO, Califórnia — Um projeto de lei que exigiria que atores de filmes adultos usassem preservativos durante as produções em qualquer lugar da Califórnia e fossem testados regularmente para doenças sexualmente transmissíveis foi aprovado em votação em comissão na terça-feira.
O projeto de lei AB1576 é a terceira tentativa do deputado estadual Isadore Hall, democrata de Compton, de expandir para todo o estado uma exigência aprovada pelos eleitores de Los Angeles em 2012.
Defensores da saúde pública e algumas estrelas pornôs consideram o projeto de lei uma medida básica de segurança no local de trabalho que evitará a propagação de doenças.
O advogado Marc Randazza, que representa clientes da indústria cinematográfica adulta, disse aos legisladores que as empresas da Califórnia já estão sendo atraídas para Nevada com taxas baixas e pouca regulamentação, e que este projeto de lei seria o "passo final para empurrar todas as empresas para cá".
Michael Stabile, porta-voz da Kink, empresa sediada em São Francisco, afirma que o grupo não deseja se mudar para Las Vegas, mas o projeto de lei e a pressão constante dos órgãos reguladores estaduais os impediriam de produzir filmes na região.
Hall rejeitou esses argumentos como exageros típicos das empresas diante das normas de segurança.
“Que vergonha para esta legislatura se chegamos ao ponto de negociar a saúde e a segurança de nossos funcionários na Califórnia em troca de um projeto de lei ambiental”, disse Hall.
“Esses são funcionários e têm o direito de serem protegidos como qualquer outro funcionário em qualquer outro emprego ou empresa”, disse Joshua Rodgers, que atuava em filmes pornográficos gays sob o nome artístico de Rod Daily. Ele afirmou ter parado de atuar depois que exames de rotina revelaram que ele havia contraído HIV, embora não atribua o diagnóstico a uma filmagem pornográfica.
Deborah Gold, funcionária da Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia, afirmou que os investigadores já autuam produtores de filmes adultos que filmam cenas sem preservativo, alegando violação das normas de segurança. No entanto, o sexo desprotegido continua sendo desenfreado na indústria, em parte porque as investigações estaduais se baseiam em denúncias.
Os defensores do projeto de lei estão recorrendo à Assembleia Legislativa após constatarem a lentidão dos órgãos reguladores estaduais em adotar normas que exijam o uso de preservativos especificamente na indústria de filmes adultos.
Representantes da indústria de filmes adultos afirmam ter seus próprios protocolos, incluindo testes regulares, para proteger os artistas sem a obrigatoriedade do uso de preservativos. Vários artistas testemunharam em apoio aos seus empregadores.
“Os preservativos são feitos para ambientes domésticos, sexo normal e períodos de tempo normais”, disse a atriz Kayden Kross em seu depoimento.
Stuart Waldman, presidente da Associação de Indústria e Comércio do Vale, disse aos legisladores que a indústria pornográfica movimenta US$ 6 bilhões no Vale de San Fernando. Ele afirmou que esse valor inclui empresas de apoio, como as de serviços de alimentação.
A Free Speech Coalition, uma associação comercial do setor de entretenimento adulto, afirma que a produção cinematográfica tem deixado Los Angeles desde que os eleitores aprovaram a Medida B em 2012. Um tribunal federal de apelações deve se pronunciar sobre um processo que contesta a lei ainda este ano.
A coalizão cita dados da Film LA, uma organização sem fins lucrativos que emite licenças, mostrando uma queda nas permissões para filmes adultos de cerca de 480 em 2012 para 40 em 2013. Mas o gabinete de Hall e a AIDS Healthcare Foundation, uma das patrocinadoras do projeto de lei, afirmam que esses números não refletem uma indústria muito maior, que opera sem licença.
A AIDS Healthcare Foundation afirma que processará os produtores de filmes que deixarem a Califórnia, com o argumento bastante debatido de que as filmagens de pornografia são tecnicamente ilegais na maioria dos estados. No outono passado, o grupo apresentou uma queixa sobre um filme adulto produzido na Flórida, onde produtores de pornografia da Califórnia terceirizaram cenas de sexo sem proteção.
O projeto de lei segue agora para a Comissão de Orçamento da Assembleia, onde um projeto semelhante foi paralisado no ano passado.











