Serviço de notícias do tribunal
Por Matt Reynolds
LOS ANGELES (CN) – A AIDS Healthcare Foundation alega em juízo que o Condado de Los Angeles usou uma auditoria fraudulenta para exigir milhões de dólares como retaliação por ter denunciado o uso indevido de verbas federais pelo condado e por seu apoio a uma lei que obrigava o uso de preservativos por atores pornôs.
A AIDS Healthcare Foundation e seu presidente, Michael Weinstein, processaram o Condado de Los Angeles, seu Departamento de Saúde Pública, sua Divisão de Programas de HIV e DST e outros funcionários, incluindo os supervisores do condado Zev Yaroslavsky e Gloria Molina, em um tribunal federal.
A fundação alega que o condado retaliou contra ela por exigir o cumprimento da lei que obriga o uso de preservativos em filmes pornográficos produzidos no Condado de Los Angeles, e por se opor ao suposto uso indevido de verbas federais destinadas a pacientes com HIV/AIDS por parte do condado.
De acordo com o processo, a Administração de Serviços de Recursos de Saúde (Health Resource Services Administration) distribui fundos federais ao abrigo da Lei de Emergência de Recursos Abrangentes para a AIDS Ryan White (Ryan White Comprehensive AIDS Resource Emergency Act), e a Fundação de Cuidados de Saúde para a AIDS (AIDS Healthcare Foundation) tem um contrato com o condado desde o final da década de 1990 para prestar serviços de saúde utilizando esse dinheiro.
A fundação alega que o condado se apropria indevidamente de fundos federais ao não seguir as diretrizes legais, subestimando "grosseiramente" o valor gasto em administração e não utilizando os fundos de maneira "oportuna e eficaz".
Alega-se ainda que o condado gastou dinheiro federal em um centro de mídia "luxuoso".
“Em vez de usar seus recursos substanciais para atingir os objetivos que lhe foram atribuídos, o Condado de Los Angeles, o Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles e várias de suas divisões e líderes se entregaram ao uso indevido de recursos, desperdício de fundos públicos, favoritismo, troca de favores profissionais e retaliação contra aqueles que os responsabilizam pelo cumprimento de suas funções”, afirma a denúncia de 39 páginas.
Segundo a denúncia, o condado aprovou este ano um contrato de 75 milhões de dólares com uma administradora de farmácias privada chamada Ramsell em apenas um dia, sem licitação.
A fundação afirma ter processado o condado no Tribunal Superior por violação das regras de licitação e obteve uma sentença favorável que invalidou o contrato em junho.
Após a fundação criticar publicamente o condado e seus funcionários, o condado reagiu com "considerável hostilidade", afirma o grupo.
“Em sua mais recente campanha para assediar, intimidar e difamar a AHF [AIDS Healthcare Foundation], os réus buscaram uma auditoria fraudulenta, que fabricou conclusões com base em informações imprecisas, e é a suposta base para a ameaça dos réus de reter mais de US$ 1.7 milhão em pagamentos à AHF”, afirma a denúncia.
Segundo a denúncia, o condado alegou que a AIDS Healthcare Foundation havia cobrado indevidamente US$ 1.7 milhão por seus serviços e exigiu a devolução do valor.
A fundação alega que as autoridades do condado "intensificaram as ameaças" nos meses que antecederam as eleições gerais, quando o grupo fazia campanha pela Proposta B, que exige que os atores de filmes pornográficos usem preservativos.
De acordo com o processo judicial, os eleitores aprovaram a medida em votação em novembro, e ela entrará em vigor este mês.
“Além de criar uma auditoria fraudulenta e exigir desonestamente milhões de dólares de uma organização sem fins lucrativos, os réus intensificaram seus ataques aos demandantes, exibindo essa auditoria perante outros prestadores de serviços e o público em geral”, afirma a queixa.
A fundação também alega que o condado favorece os profissionais de saúde que fazem contribuições para campanhas eleitorais e que não contestam ou questionam o uso dos fundos pelo condado.
A ação alega que os réus realocaram US$ 1.2 milhão para o Centro de Tratamento de Tarzana em detrimento da organização do autor, localizada no Vale do Antílope.
“O ato retaliatório dos réus de cortar 100% do financiamento da AHF em Antelope Valley não só causou à AHF uma perda financeira significativa, como também foi realizado às custas dos pacientes, demonstrando ainda mais a má conduta e a má vontade dos réus em relação aos demandantes”, afirma a queixa. “Esses interesses entraram em conflito direto com as obrigações legais dos réus de alocar os fundos destinados ao combate à AIDS da maneira mais eficaz possível e com absoluta lealdade aos interesses das populações que atendem.”
Segundo a denúncia, o condado também cortou US$ 3 milhões em serviços para pacientes com HIV/AIDS ao se recusar a conceder um contrato ao grupo da fundação para um programa de benefícios.
“Uma decisão tão cruel e irracional só pode ser atribuída ao desejo dos réus de punir os demandantes por suas críticas à má gestão e incompetência dos réus, e de eliminar qualquer concorrência significativa por verbas para as agências favorecidas pelos réus – ou seja, as agências que seguem acriticamente a linha da DHSP”, afirma a queixa, abreviando Divisão de Programas de HIV e DST.
A AIDS Healthcare Foundation busca indenização por danos morais e materiais por retaliação, violação da Lei de Reclamações Falsas, violações constitucionais e difamação.
É representada pela advogada interna Samantha Azulay.
O condado não respondeu imediatamente ao pedido de comentários.











