FDA aprova comprimido de uso diário para HIV

In Notícias por AHF

27 de agosto de 2012
Por ANDREW POLLACK
The New York Times

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) aprovou um novo tratamento para HIV de administração única diária, da Gilead Sciences, que contém quatro medicamentos diferentes em um único comprimido.

Mas o preço que a Gilead planeja cobrar pelo novo medicamento — cerca de US$ 28,500 por ano — foi criticado como excessivo por um ativista da luta contra a AIDS, que afirmou que isso colocaria pressão adicional sobre os programas de saúde pública já sobrecarregados, responsáveis ​​pelo financiamento da maioria dos medicamentos contra o HIV.

“Isso é chocantemente irresponsável”, disse o ativista Michael Weinstein, presidente da AIDS Healthcare Foundation, que trata mais de 100,000 mil pessoas infectadas em todo o mundo. “É simplesmente insustentável nesses níveis.”

A Gilead afirmou que o preço estava em linha com o de outros tratamentos para o HIV.

O novo medicamento, que se chamará Stribild, é o terceiro comprimido de administração única diária para o tratamento do HIV lançado no mercado pela Gilead, depois do Atripla em 2006 e do Complera em 2011. No final da década de 1990, quando os coquetéis de medicamentos começaram a ser usados ​​com sucesso para tratar a infecção, os pacientes às vezes precisavam tomar duas dúzias de comprimidos, em vários horários do dia e da noite.

O Stribild, anteriormente conhecido como Quad, não parece representar um grande avanço médico.

Nos ensaios clínicos que levaram à sua aprovação, o Stribild mostrou-se aproximadamente equivalente ao Atripla e a outra combinação, embora evite alguns dos efeitos colaterais psiquiátricos do Atripla. Cerca de 88% a 90% dos pacientes que tomaram Stribild apresentaram níveis indetectáveis ​​de HIV no sangue após 48 semanas, em comparação com 84% dos tratados com Atripla e 87% dos tratados com a combinação de Truvada (Gilead), Reyataz (Bristol-Myers Squibb) e Norvir (Abbott).

Mas o Stribild pode ser importante comercialmente para a Gilead porque a empresa detém todos os ingredientes. Em contrapartida, o Atripla contém um medicamento da Bristol-Myers Squibb e o Complera contém um medicamento da Johnson & Johnson, portanto a Gilead precisa dividir os lucros.

Geoffrey Meacham, analista do JP Morgan Chase, estimou que as vendas mundiais do Stribild poderiam atingir US$ 2.5 bilhões anualmente até 2015. "Considerando a eficácia semelhante e um perfil de segurança aprimorado, esperamos que o Quad conquiste participação de mercado do Atripla", escreveu ele em uma nota na segunda-feira.

Dois dos ingredientes do Stribild — emtricitabina e tenofovir — também estão presentes no Atripla e no Complera e são vendidos como uma combinação dupla conhecida como Truvada.

Os outros dois medicamentos presentes no Stribild são o elvitegravir, um tipo de fármaco conhecido como inibidor da integrase, e o cobicistat, que potencializa o efeito do elvitegravir. Nenhum desses medicamentos foi aprovado para uso isolado até o momento.

O custo de aquisição do Stribild é cerca de um terço maior do que o do Atripla, que custa aproximadamente US$ 21,000 por ano. "Se isso não é um verdadeiro excesso, não sei o que seria, para algo que não representa um verdadeiro avanço", disse o Sr. Weinstein.

Erin Rau, porta-voz da Gilead, afirmou em um e-mail que o preço do Stribild "reflete um retorno razoável sobre o investimento em desenvolvimento do produto".

Ela afirmou que a empresa ofereceria descontos para os Programas Estaduais de Assistência Farmacêutica para AIDS e também disponibilizaria diversos programas para ajudar pacientes com seguro privado a obterem o medicamento. A Gilead disse ainda que concedeu direitos a certas empresas na Índia para produzirem versões genéricas do Stribild para distribuição em países pobres.

AHF assumirá um papel de liderança na pesquisa sobre HIV/AIDS.
AHF patrocinará iniciativa eleitoral em São Francisco para combater a especulação de preços de medicamentos da Gilead.