Por John Rogers
1/17/2012
Fonte: Associated Press
Los Angeles
Os atores de filmes adultos filmados na capital americana da pornografia serão obrigados a usar preservativos, de acordo com uma lei que recebeu aprovação final na terça-feira pelo Conselho Municipal de Los Angeles.
A medida, aprovada por 9 votos a 1, segue agora para a sanção do prefeito. Antes de entrar em vigor, porém, a Câmara Municipal ordenou que autoridades policiais, o procurador municipal e outros realizem reuniões para definir como ela será aplicada.
A segunda e última votação do conselho para aprovar a lei ocorreu sem discussão pública, em um dia em que a maioria dos principais nomes da indústria pornográfica estava em Las Vegas se preparando para a abertura da Adult Entertainment Expo, o maior evento comercial do setor, na quarta-feira.
Diversos representantes do setor condenaram a medida, considerando-a um exercício desnecessário de correção política que não pode ser imposto.
"A única coisa que a cidade poderia potencialmente conseguir é perder parte da receita das licenças de filmagem e afastar algumas produções, mas você não pode obrigar uma indústria a criar um produto que o mercado não quer", disse Christian Mann, gerente geral da Evil Angel Productions, uma das maiores produtoras de filmes pornográficos do setor.
Assim como outros no ramo, ele disse que um grande número de consumidores, especialmente no exterior, se recusa sistematicamente a comprar filmes em que preservativos são usados.
A veterana atriz pornô Tabitha Stevens afirmou que trabalhou com e sem preservativo durante seus 17 anos de carreira. Embora Stevens, que também produz filmes, diga que prefere trabalhar com preservativo, ela não acredita que seu uso deva ser obrigatório por alguma autoridade governamental.
“Se quiserem usar, usem. Se não quiserem, não usem. Essa decisão cabe ao artista. Não deveria ser do governo”, disse ela por telefone de Las Vegas.
Stevens e outros também afirmaram que o padrão de testes autoimposto pela indústria, no qual as principais empresas exigem que os atores sejam testados a cada 30 dias para doenças sexualmente transmissíveis, está funcionando bem. Eles dizem que não houve nenhum caso confirmado de HIV diretamente relacionado à indústria pornográfica desde 2004.
Os defensores da nova lei afirmaram que os testes não são suficientes e que a exigência do uso de preservativo adiciona um nível extra de segurança.
“Não somos contra os testes, mas testar não é prevenção da mesma forma que usar um método de barreira”, disse Ged Kenslea, porta-voz da AIDS Healthcare Foundation, que apoia a obrigatoriedade do uso de preservativo.
Ele também acusou a indústria de filmes adultos de não ser transparente na divulgação de todos os casos de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo HIV, gonorreia, clamídia e outras.
Kenslea zombou da ideia de que a indústria, da qual se acredita que cerca de 90% esteja localizada no Vale de San Fernando, em Los Angeles, vá se mudar por causa da restrição.
“A indústria não vai desaparecer”, disse ele, acrescentando que outras partes dos Estados Unidos não são tão tolerantes com filmes de sexo explícito e que a infraestrutura da indústria, desde roteiristas, diretores e atores até instalações de produção, já está sediada aqui.
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